segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Ao meu lado.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
quinta-feira, 17 de março de 2011
Casamento
Conheciam-se há muito tempo, desde a faculdade. Andavam com os mesmos amigos, gostavam de coisas semelhantes e até discutiam quando as opiniões divergiam. Até que chegou o amor e não tiveram como se desvencilhar dele. Roberto começa a perceber em Márcia uma personalidade que se destacava das demais, tudo o que ela fazia tinha um quê de diferente e chamativo ao mesmo tempo. Sabia como comover sem esforço.
Ele muito aí para e ela nem percebeu, mal sabia ele que ela já o notava desde o início do curso. Amigos em comum deram os empurrões iniciais para que a dupla virasse casal. Até que chegou o dia da junção durante o aniversário de Márcia justo na hora do bolo. Quando o famoso questionamento sobre o primeiro pedaço de bolo foi feito, ela o deu a Roberto e ainda se declarou causando comoção nas pessoas da festa e aumentou ainda mais o motivo de comemoração. A partir daquele dia eles viraram o casal modelo para os amigos, sempre que havia um problema conjugal todos corriam para lhes contar o problema em busca de uma orientação. Era muito engraçado, sempre eram vistos juntos, quando vistos sós logo se perguntava pelo outro.
Terminaram a faculdade, pouco tempo noivaram. Arranjaram emprego na mesma empresa, ficaram muito amigos de Josué, o chefe deles. Josué passaria a ser mais um naquela casa e eles passariam a ser mais dois na casa de Josué. Roberto e Josué criaram uma simpatia absurda um pelo outro e se tornaram amigos de infância, Márcia sempre muito comunicativa, também fazia parte da rotina de conversa da nova dupla de amigos.
Resolveram casar, Márcia e Roberto casariam em breve, um casamento pela manhã, igreja, padre, padrinhos, madrinhas, familiares, os amigos de sempre, os amigos do trabalho, tudo estava planejado. Roberto não cabia de ansiedade, Márcia passava horas na internet escolhendo modelo de vestido, Roberto consultava Josué sempre que podia sobre como surpreender Márcia no dia do casamento, Josué prometeu dar ao casal de noivos amigos dele a hospedagem para a lua de mel, bastava dizer onde.
Tudo certo para o casamento, todas as presenças confirmadas, Roberto e Márcia tinham até enviado fotos de momentos do casal para ser expostos na recepção em projeções para que os convidados percebessem como eles eram felizes e como todos os que ali estavam possuíam um pouco de responsabilidade pelo casal ser tão feliz.
Porém, o bom convívio não pôde impedir a desconfiança repentina de Roberto com Josué, a amizade de sempre sofreu um repentino abalo a partir do momento em que Josué começou a se dispor em ajudar a noiva no que precisasse para que o dia do casal saísse perfeito. Roberto questiona a futura a esposa sobre o dia, o que tem feito, com quem, por que não ligou, entre outras coisas que um homem ciumento faz. Ela estranhando tudo aquilo lhe jura amor eterno e fidelidade extrema. Ele aceita e diz que a fará uma enorme surpresa neste dia em que eles serão definitivamente marido e mulher. Ela apenas sorri e vai para o banho.
Chega finalmente o dia tão esperado por todos os convidados e pelo feliz casal. Casam pela manhã com padre, padrinhos e madrinhas no altar, nas primeiras filas os amigos da faculdade, do trabalho, tudo como planejado... Arroz na saída, mais festa na recepção, champanhes estourados, fogos, muita música e comida.
Cumprimentando todos com um sorriso largo no rosto, Márcia pergunta-se onde está Roberto, com a tal surpresa? Talvez... Ela também teria uma surpresa para ele...
Passam-se alguns minutos e o mistério se revela, Roberto de arma em punho esbraveja para todos que casou com uma adúltera e que a festa teria o fim que merecia. Com um tiro certeiro no meio da testa, mata Márcia e com um na têmpora direita se mata deixando uma única questão: por quê?
sábado, 17 de julho de 2010
Ah, o perfume... Mas AQUELE perfume!
Chegou em casa e só falava no tal perfume. Como era bom...
O filho mais novo precisou de um perfume, queria cheirar bem também. Arrumou uma namorada, queria marcar o território com um perfume marcante. Foram à mesma loja, ele foi buscar o dele e ela, a mãe, foi correndo na prateleira feminina e experimentou novamente o tal perfume como se nunca tivesse experimentado antes. A vendedora ofereceu, disse que ela aproveitasse e levasse juntamente com o do caçula. Recusou, disse novamente que era alérgica, chiou diante do preço do objeto de desejo. Foram embora.
Aniversário da primeira nora. Deu de presente o tal perfume. Com uma dor no coração por não tê-lo, mas deu por saber que qualquer mulher adoraria ganhar um desses. A nora, claro, elogiou muito o perfume, que por acaso seria o seu de sempre a partir daquele dia. Ela, mais uma vez fingindo mostrar o cheiro daquela preciosidade, colocou o perfume no pulso e na dobra do cotovelo. E ficaram a noite toda, sogra e nora, cheirando igual, enchendo a sala com aquele aroma enfeitiçador. Sempre sendo elogiadas, cada uma no seu canto.
O mais velho pensa em mudar o perfume para a festa de noivado, a noiva diz estar enjoada do mesmo cheiro, disse que será ela a próxima a dar-lhe um novo perfume. A mãe do noivo, por dentro, perde a esperança de sentir mais uma vez o cheiro que tanto lhe agrada. O tempo passa, ela sempre se resguardando de se dar o tão pretendido presente. Em seu aniversário, os filhos lhe dão sempre um ramalhete ou de rosa, ou de flores do campo junto com algo exotérico, ou um livro de auto-ajuda, ou livro espírita, ou apenas o ramalhete mesmo. O ano que mais diferenciou um pouco foi o que ela recebeu este mesmo presente, mas das mãos da neta, que agora já falava bem pra dizer “feliz aniversário, vovó” e andava com segurança o suficiente para carregar sozinha o ramalhete. Esse ano ela não aguentou e foi às lágrimas.
E assim foi, ano ia e ano vinha, ela sempre passando na loja do tal perfume, experimentava mais um pouco. Não levava porque era alérgica, porque não costumava usar o perfume, porque usava pouco e por isso era melhor nem levar.
Sem mais esperar, o caçula, mais arteiro e observador dos dois filhos, percebeu a repetição do ato ensaiado há anos e resolveu surpreender. Sem mais, sem menos, disse ter passado no shopping para pagar contas, reclamou da fila do banco, reclamou do salário e reclamou que demorou a ser atendido na loja de perfumes, a mesma que vendia o eterno objeto de experimento. E de repente, da bolsa, puxa o dito cujo e diz que é dela, diz que ela usará sempre que for ao salão, à casa da nora, ao shopping, ao supermercado, onde for. Ela o chama de louco, diz que não precisava e todo aquele discurso de quem recebe algo que quer muito, mas finge não querer. Disse que guardaria para ocasiões especiais.
À noite, quando todos estão dormindo, ela pôs o perfume. Se imaginou em uma festa dessas bem pomposas que ela lê na coluna social. Todos admirados com o aroma que ela exala quando passa pelas pessoas, cumprimentando uma a uma, claro. Depois se remete à festa em família, àquele momento em que todos se juntam em um almoço na casa de algum irmão e contam o que têm feito, como estão os filhos, os planos, essas coisas que a gente sabe. O assunto da mesa é o perfume, qual é, onde vende, comprou ou ganhou? E ela toda cerimoniosa explica como ele é bom, há quanto tempo queria, como as pessoas se encantam com aquele cheiro bom...
À noite antes de dormir, todos os dias, ela dá uma borrifada atrás das orelhas, nessa parte do pescoço entre a orelha e o cabelo, e vai dormir. Dorme bem, acorda de rosto inchado de tanto dormir.