Há muito tempo trabalhava naquele restaurante. Conhecido por ser acessível por qualquer um que quisesse tirar alguma dúvida, qualquer um que quisesse pedir sugestão de pratos ou vinhos, adorava falar com os clientes e saber se estão gostando, se têm sugestão de melhora. Era formado nem há tanto tempo, mas sabia o que fazia e porque estava ali. Por esse motivo era sempre indicado a ser monitor de algum aluno de gastronomia que quisesse estagiar naquela cozinha. Ele tinha o maior orgulho de mostrar toda a cozinha, fazia questão de pelo menos deixar na mão do estagiário um prato a ser servido no salão, tudo sob sua supervisão, claro. Era um rei naquele espaço e seus auxiliares seu exército, seus fiéis servos nos quais podia confiar cegamente.
Certo dia chega mais um estagiário, um rapaz calado, meio tímido, não sabia bem se queria mesmo ser cozinheiro, começou o curso, gostou e estava determinado a pelo menos concluí-lo. Muito bem, conheceu a cozinha como de praxe pelo tal cozinheiro. Da cozinha em si até a câmara frigorífica, passando pelo estoque de vegetais. Conheceu a adega, conheceu alguns garçons, o maitre e claro, o proprietário do restaurante.
Com o passar do estágio conversavam muito, o cozinheiro mais expansivo sempre contando piadas, fazendo graça com a comida. Cozinha é um ambiente tenso demais, devemos deixá-la mais leve e feliz senão passa pra comida – dizia com ar professoral o cozinheiro – os clientes podem reclamar do mau gosto. O estagiário aprendia tudo com muita vontade, estava encantado com o professor. Ficaram amigos, iam às palestras, trocavam indicações de livros, iam à casa do outro, cozinhavam juntos, vararam algumas noites nessas farras culinárias.
Chegado o fim do tempo de estágio, todos se despediram do novo parceiro de cozinha, sim, ele conquistou todos mesmo falando pouco. Mas entre o cozinheiro e ele ficou mais difícil a separação, ficaram muito amigos. As farras, as trocas de informações passariam a ser por e-mail, até ficou a promessa do envio de um convite da formatura. O dia ficou triste naquela cozinha, a comida saiu meio queimada, a carne passou do ponto, a sopa saiu salgada demais, estava claro que algo não ia bem. Pediu para ir para casa, recebeu a permissão.
Na faculdade, as aulas pareciam chatas demais, tudo o que o professor falava parecia vir de outra voz, ria sozinho olhando para a parede, lembrava das piadas. Levantou-se, foi para casa. Pensou em passar no restaurante, desistiu. Desistiu da casa, foi para um bar próximo. Ficou por lá, tomando água mesmo, foi só para distrair um pouco. Apesar de tímido, como todo jovem, inconscientemente usou de sua impulsividade e foi ao restaurante. Chegando lá, mentiu parcialmente, contou da chatice da aula, sentiu saudade e foi vê-los. Perguntou pelo cozinheiro, foi para casa. Que pena, queria vê-lo também. – disse o rapaz – Outro dia passo e dou abraço nele. Mal saiu do restaurante, dobrando a esquina, partiu em disparada para a casa do amigo. Ao chegar, viu o apartamento escuro, apenas uma pequena luz passava a impressão de ter alguém em casa. Pensou que seria melhor usar o interfone, mas o portão estava aberto, subiu em disparada pulando de dois em dois degraus, chegou à porta, titubeou se batia ou não. Ouviu que tocava uma música que dizia algo sobre sonhar, desilusão que dói no coração de quem sonha. Mesmo sem entender bateu na porta. Aqueles segundo pareceram horas e quando finalmente ela foi aberta pareceu a solução da aflição, os olhos se viram, um brilhando de ansiedade e o outro, dentro do apartamento, vermelho e molhado de choro. Abraçaram-se como se fizesse muito tempo que se viram, como se anos os tivesse separado, como se estivessem a espera um pelo outro há muito tempo.
Beijaram-se, beijaram-se sem se importar se outro recusaria, sem se importar com a porta ainda aberta, sem se importar se estariam enganados em relação àquele sentimento, sem se importar se era noite ou dia, apenas se beijaram. E choraram, beijaram-se mais, abraçaram-se e em pé mesmo o estagiário jogou sua bolsa no chão, perto do sofá. Como se queriam, a porta do apartamento foi fechada e aquela situação foi boa para os dois, a aflição acabou e o choro passou de angustiante para o de alegria.
Certo dia chega mais um estagiário, um rapaz calado, meio tímido, não sabia bem se queria mesmo ser cozinheiro, começou o curso, gostou e estava determinado a pelo menos concluí-lo. Muito bem, conheceu a cozinha como de praxe pelo tal cozinheiro. Da cozinha em si até a câmara frigorífica, passando pelo estoque de vegetais. Conheceu a adega, conheceu alguns garçons, o maitre e claro, o proprietário do restaurante.
Com o passar do estágio conversavam muito, o cozinheiro mais expansivo sempre contando piadas, fazendo graça com a comida. Cozinha é um ambiente tenso demais, devemos deixá-la mais leve e feliz senão passa pra comida – dizia com ar professoral o cozinheiro – os clientes podem reclamar do mau gosto. O estagiário aprendia tudo com muita vontade, estava encantado com o professor. Ficaram amigos, iam às palestras, trocavam indicações de livros, iam à casa do outro, cozinhavam juntos, vararam algumas noites nessas farras culinárias.
Chegado o fim do tempo de estágio, todos se despediram do novo parceiro de cozinha, sim, ele conquistou todos mesmo falando pouco. Mas entre o cozinheiro e ele ficou mais difícil a separação, ficaram muito amigos. As farras, as trocas de informações passariam a ser por e-mail, até ficou a promessa do envio de um convite da formatura. O dia ficou triste naquela cozinha, a comida saiu meio queimada, a carne passou do ponto, a sopa saiu salgada demais, estava claro que algo não ia bem. Pediu para ir para casa, recebeu a permissão.
Na faculdade, as aulas pareciam chatas demais, tudo o que o professor falava parecia vir de outra voz, ria sozinho olhando para a parede, lembrava das piadas. Levantou-se, foi para casa. Pensou em passar no restaurante, desistiu. Desistiu da casa, foi para um bar próximo. Ficou por lá, tomando água mesmo, foi só para distrair um pouco. Apesar de tímido, como todo jovem, inconscientemente usou de sua impulsividade e foi ao restaurante. Chegando lá, mentiu parcialmente, contou da chatice da aula, sentiu saudade e foi vê-los. Perguntou pelo cozinheiro, foi para casa. Que pena, queria vê-lo também. – disse o rapaz – Outro dia passo e dou abraço nele. Mal saiu do restaurante, dobrando a esquina, partiu em disparada para a casa do amigo. Ao chegar, viu o apartamento escuro, apenas uma pequena luz passava a impressão de ter alguém em casa. Pensou que seria melhor usar o interfone, mas o portão estava aberto, subiu em disparada pulando de dois em dois degraus, chegou à porta, titubeou se batia ou não. Ouviu que tocava uma música que dizia algo sobre sonhar, desilusão que dói no coração de quem sonha. Mesmo sem entender bateu na porta. Aqueles segundo pareceram horas e quando finalmente ela foi aberta pareceu a solução da aflição, os olhos se viram, um brilhando de ansiedade e o outro, dentro do apartamento, vermelho e molhado de choro. Abraçaram-se como se fizesse muito tempo que se viram, como se anos os tivesse separado, como se estivessem a espera um pelo outro há muito tempo.
Beijaram-se, beijaram-se sem se importar se outro recusaria, sem se importar com a porta ainda aberta, sem se importar se estariam enganados em relação àquele sentimento, sem se importar se era noite ou dia, apenas se beijaram. E choraram, beijaram-se mais, abraçaram-se e em pé mesmo o estagiário jogou sua bolsa no chão, perto do sofá. Como se queriam, a porta do apartamento foi fechada e aquela situação foi boa para os dois, a aflição acabou e o choro passou de angustiante para o de alegria.
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